A lagriminha desceu…

Confesso que jamais imaginei que isso aconteceria tão cedo. Desde a decisão de 2011 do STF [que acompanhei no rádio/tv/internet como se fosse um torcedor fanático em uma demorada e tensa disputa de pênaltis] de “reconhecer” [juridicamente, por isso as aspas] as guei como família, temos visto muitos juízes [especialmente aqueles que acham que deus é o verdadeiro ordenador jurídico dessa bagaça toda] contrariando a lei com base em suas próprias interpretações e credos e convicções, negando às pessoas um direito que, na minha opinião, está acima de todos: serem felizes. Se juridicamente somos cidadãos, votamos, pagamos impostos e seguimos direitinho toda a “cartilha” de boas maneiras que nos foram ensinadas desde que nascemos, respeitando o próximo e procurando sempre fazer o bem, por que raios não podemos simplesmente ser felizes em nossas casas, com nossas famílias, por nós constituídas, mesmo que essas famílias não se encaixem nas normas eclesiásticas? Por que raios devemos seguir leis “criadas” por um “fantasma” se não acreditamos nele? Ou, se acreditamos, por que esse fantasma, tido como sinônimo de amor, quereria nos punir por AMAR? Estamos por acaso pedindo para não nos excomungarem? Estamos obrigando outras pessoas a terem comportamentos homoafetivos? Estamos fazendo mal a alguém? NÃO!!! São esferas diferentes!!! Casamento tem a ver com a esfera PESSOAL, e essa esfera tem sim que ser amparada juridicamente de modo a garantir, na prática, felicidade, sobrevivência e direitos que em um número enorme de casos são negados pela dita família nuclear. Não é dever jurídico dos pais colocar @s filh@s na escola, garantindo seu futuro e conhecimento? Por que então não se pode garantir que ess@ filh@ seja simplesmente FELIZ por se casar com a pessoa que el@ ama, ama tanto que decidiu constituir família?
Enfim, isso é um simples desabafo emocionado de uma bicha extremamente feliz por ver a felicidade estampada nas carinhas d@s noiv@s que disseram o tão esperado sim no casamento homoafetivo coletivo que ocorreu em BH no histórico dia 11 de dezembro de 2013. Vejam as fotos na notícia e, se tiverem coração mole como eu, esforcem-se para segurar as lágrimas.
Um beijo gigante e muito amor pra vocês!

Fale com o ombudsman

Primeiro, não concordo com o nome ombudsman. Por duas razões: existe um equivalente em português [ouvidor] e a palavra é difícil de pronunciar. “Mas hoje em dia todo mundo fala inglês!”, diriam. Eu responderia: A PALAVRA É SUECA, BABACA!

Enfim, na minha onda de reclamações, liguei para a BHTrans para informar de um taxista estacionadinho, aparentemente esperando passageiro como se fosse ponto, em um lugar em que é proibido parar E estacionar [sabe aquela placa com a letra E com duas faixas vermelhas fazendo um X?]. O táxi era um Corsa Sedã, placa HIM 2913, e o ocorrido foi no dia 24 de julho na hora do almoço. A fotografia abaixo prova o que tô dizendo [basta ver dados EXIF e vc verá a hora e data exatas em que a fotografia foi tirada].

safadinho!
safadinho!

A reclamação foi registrada sob o número 1338998 junto à BHTrans, empresa supostamente responsável pela organização do trânsito em Belo Horizontem. Dia 11 de setembro, liguei de novo para ver em que pé andava a reclamação. Disseram-me: “Sua reclamação foi encaminhada para o setor responsável”. GENTE, EU DEI A PORRA DA PLACA DO CARRO, COMO É QUE É TÃO DIFÍCIL ENCONTRAR UM TAXISTA?!?!!??!!?

Hoje, dia 19 de setembro, estou enviando a seguinte mensagem para o “ouvidor” da BHTranstorno:

Táxi Corsa Sedã HIM-2913 estacionado em local em que é proibido parar E estacionar. Reclamação registrada junto à BHTrans no mesmo dia, por volta das 13h, sob o protocolo 1338998, promessa de resposta em 30 dias. A ocorrência está fotografada. Liguei no dia 11/09 para ver o andamento da situação, se limitaram a dizer que a reclamação foi encaminhada para o setor responsável. Hoje é dia 19/09 e eu ainda aguardo resposta, a menos de uma semana de a ocorrência completar DOIS MESES.
Creio que um trânsito melhor se faz com respeito, e no caso específico dos táxis, deveriam ser eles o maior exemplo, justamente por estamparem a marca da PBH e da BHTrans. E como não dá para chamar a fiscalização todas as vezes que se vê uma babaquice no trânsito [como por exemplo um carro da manutenção de radares parado EM CIMA do passeio na última terça em frente à Tecar, na Nossa Senhora do Carmo, também fotografado, com um baita “A SERVIÇO DA BHTRANS” na traseira, um gol placa OPA 8205], procuro direcionar as reclamações de modo que haja fiscalização e PUNIÇÃO dos envolvidos, e espera-se que com táxis isso seja mais eficiente, já que são credenciados pela BHTrans, sua “patroa”, por assim dizer. E eu reclamo porque sou chato, sou cidadão e porque em BH os carros SEMPRE têm preferência, o pedestre e aqueles que usam veículos de tração humana parece ser penalizados só por existirem nessa cidade.
Fico no aguardo de uma resposta sincera e de ações afirmativas quanto ao caso, por gentileza evite o discursinho corporativo decorado e faça alguma coisa! Muito obrigado pela atenção e pela vindoura resposta.

O carro da manutenção de radares em questão é esse aí embaixo:

pisca-alerta não é placa de permitido estacionar!
pisca-alerta não é placa de permitido estacionar!

Resta agora esperar. Não no sentido de aguardar, mas de ter esperança, pois se depender da BHTrans, situações como as mostradas abaixo continuarão a acontecer diariamente. Eles só podem autuar com PM ou GM, ok, mas só se for em flagrante: vc está vendo uma irregularidade imensa e o que eles fazem? “Vamos mandar uma equipe”. “E se já tiver saído quando a equipe chegar, vão simplesmente sair impunes e escapar da multa?” “Sim.” [isso é a transcrição de uma chamada que fiz por causa de um babaca estacionado num ponto de ônibus].

Quero deixar duas coisas bem explicadas: fui coletando essas fotos diariamente ao longo de muitos meses. Das que estão aqui, a mais antiga é de 10 de janeiro de 2013, mas não significa que eu não tenha outras toneladas de fotos em casa, essas são só as do celular! A outra coisa é que eu só fotografo quando há realmente uma infração [e eu sou MUITO BOM em legislação de trânsito, é por isso que eu reclamo, pois não tenho medo de estar errado]. Por enquanto não vou tipificá-las todas nas legendas das fotos por uma simples questão de tempo: estou trabalhando. Mas fiquem à vontade para perguntar!

UMA BEIJA!

P.S.: repararam que o tamanho/preço do carro é proporcional ao tamanho da babaquice, na maioria dos casos?

Pelo direito de rebolar no supermercado

Educar é melhor que punir. Esse foi meu mantra nos últimos dias. Afinal de contas, uma pessoa de Áries é a última do universo que gosta de resolver as coisas na conversa. Ok, até pode ter conversa, desde que tenha barraco. Mas não foi o caso. Tudo foi resolvido com muita calma e, cito um comentário relativo ao caso, “com uma lição de cidadania”.

Relembrando: meu irmão e eu sofremos discriminação na loja do Carrefour Bairro Sion na última quarta, dia 17 de julho. Segundo as funcionárias que praticaram tal ato, é uma vergonha eu rebolar porque sou um marmanjo de quase 2 metros de altura. Não xingamos, não chamamos gerente nem nada.

No dia seguinte, escrevi o relato em detalhes e postei no Reclame Aqui [aliás, recomendo: é um ótimo lugar para consultar reputação de empresas, além de ser um canal para diálogo e resolução amigável de problemas]. Também marquei o Carrefour no Twitter. Inicialmente, pediram para que a discussão fosse por mensagens diretas, no que respondi que não, afinal a discriminação foi pública, daí minha exigência de que o caso fosse publicamente tratado.

No mesmo dia, me ligou o responsável pelas lojas Carrefour Bairro mineiras, pedindo desculpas em nome da empresa, perguntando se eu tinha mais algum detalhe que acrescentar e querendo saber os nomes das funcionárias. Respondi que o caso estava escrito com a maior riqueza de detalhes possível, que não tinha nada a acrescentar, muito menos identificar as ditas, pois queria uma ação educativa de cima para baixo, e não uma punição e pronto. Ele disse que iam tomar as providências e que entraria em contato de novo.

Na sexta, como não tinha recebido ainda nenhuma resposta além desse telefonema [e ansioso como todo bom ariano], torrei a paciência do Carrefour no Twitter, pedindo esclarecimentos sobre as providências. No fim da tarde, ligou a responsável pelo SAC Carrefour Brasil, que ficou no telefone comigo durante 13 minutos. Dava pra perceber que não era um texto decorado. Ficamos efetivamente discutindo a situação, analisando a vantagem que a instrução tem sobre a punição. Perguntou se eu tinha mais alguma reclamação da loja, no que respondi que às vezes não dá pra encontrar coisas básicas, como farinha de trigo, e que há poucos funcionários. Comentei de funcionários insatisfeitos [eu irmão é rei em puxar papo, eu já sou mais jacu e fico com vergonha] com o salário e com a arrogância dos clientes, mas enfatizei que não era da minha alçada, e que exceto pelo episódio da quarta, eu não podia reclamar em absoluto do tratamento ao cliente em 3 anos que frequento o lugar.

Ela pediu desculpas mais uma vez pelo ocorrido, anotou meus dados para registro, respondeu no Reclame Aqui e agradeceu por eu ter levantado uma questão que pode até ser que nem chegue a superiores, seja por vergonha [ela chegou a comentar coisas como “imagina se fosse 20 anos atrás, ninguém reclamava, apenas aceitava e pronto, e você mostrou que é um consumidor consciente e moderno”, etc.], seja por acharem normal, seja por ter sido “resolvido” localmente no grito/barraco/punição.

No sábado, café recém passado, tocam o interfone: uma comitiva de quatro pessoas, que incluía o gerente da loja e o rapaz que cordialmente nos atendeu ao embalar a bandejinha que vazava. Pediram desculpas pessoalmente, repeti que é importante educar ao invés de punir, e ainda ganhei uma linda cestinha cheia de produtos Carrefour, que depois de consumida nos servirá muito bem como fruteira.

Moral da história: atender bem não significa estender tapete vermelho pra cliente, nem ficar mimando. Aquela máxima de “o cliente tem sempre razão” para mim não funciona, afinal, tem cliente que arma barraco porque não estenderam tapete vermelho ou não sorriram. Ninguém é obrigado a sorrir pra ninguém. Ninguém é obrigado a aguentar arrogância/TPM/problemas pessoais. Mas respeito é bom e eu gosto. Quer fofocar sobre mim? Fique à vontade, mas pelo menos fale baixo, apenas com seu interlocutor. Falar dos outros é inevitável, afinal somos humanos, mas seja discreto e minimamente educado. E tente entender que rebolar é tão natural e gostoso quanto balançar os braços enquanto anda.

UMA BEIJA ENORME PROCÊS!!!!

P.S.: depois de tudo discutido, ficou uma reflexão: além do título que pus no Reclame Aqui, não houve nenhuma menção, seja minha ou dos meus interlocutores, sobre homoafetividade. Falou-se apenas de respeito e bom atendimento. Afinal, ninguém nem sabe que eu sou gay…

Não mexa com quem está quieto

Ontem, quarta, 17 de julho de 2013, lá pelas 21h, fui com meu irmão ao Carrefour Sion para fazer compras. Com nosso dinheiro. Conseguido graças ao nosso trabalho. Para a nossa casa. Não pedi dinheiro de ninguém, não pedi opinião de ninguém. Não dirigi a palavra a ninguém. E ainda assim acham que podem cuidar da minha vida. Mais especificamente, da minha bunda.

O relato abaixo não pretende ter qualquer tipo de juízo de valor, mas apenas narrar os fatos.

Estávamos lá, lindas e maravilhosas, comprando as coisas, na parte de hortifrúti, quando surgiu uma repentina vontade de comer cocada queimada, aquela de lata. Falei: “vou lá correndo buscar e volto”. Aí sai esse homem de 1m89 pelos corredores do supermercado pra procurar a tal lata. Naturalmente desengonçado, eu provavelmente parecia uma libélula. E começo a ouvir, a vários metros e umas duas gôndolas de distância, alguém dizendo bem alto “como que pode, quase dois metros de altura e sai essa gazela rebolando” e coisas do tipo. E falavam, falavam, falavam, falavam. Não achei a lata [Carrefour é uma assim mesmo, várias vezes não consegui comprar nem farinha de trigo lá] e voltei para onde estava meu irmão, contando-lhe o ocorrido. As pessoas que falavam eram duas funcionárias da parte de frios. Propus: agora a gente vai rebolar de verdade. E saímos lindas em direção ao açougue, elas ainda falando. Pegamos uma bandejinha de moela que estava vazando, no que meu irmão foi até elas e pediu que passassem mais filme de PVC na embalagem. Ambas se recusaram, alegando estarem com as mãos molhadas, e indicaram o açougue. Quando ele estava voltando, ouvi comentários  do tipo “pior é que minha mão estava molhada mesmo”. Supus um monte de coisas, mas como disse no parágrafo anterior, não quero fazer nada além de narrar os fatos. Quando ele voltou pra perto de mim, também ouvindo comentários, resolvemos parar, cruzar os braços e fuzilá-las com os olhos, paradinhos, quase batendo pezinho. Quando nos viram, se calaram. Falei, na mesma intensidade em que elas comentavam, a seguinte frase: “é muito feio falar dos outros”, dei as costas e fui para o açougue, onde esperávamos que alguém pudesse simplesmente passar mais filme de PVC na embalagem. Mas o açougue não tinha atendentes, talvez até pelo avançar da hora. Vi que chegou um homem à seção de frios onde as ditas trabalham. Peguei a bandejinha e, lado a lado com meu irmão, andando que nem numa passarela, de bunda arrebitada e tudo mais, chegamos ao balcão e pedimos que ele passasse o filme de PVC. Ele, solícito, fez isso em menos de meio minuto, tempo durante o qual ficamos fuzilando as duas com o olhar, e ambas não tinham nem coragem de levantar a cara. Quando o moço entregou a embalagem, falei “obrigado moço, você é muito gentil”. E ficou por isso, pq se alguma delas abrisse a boca pra falar qualquer coisa o bicho ia pegar, íamos tocar na ferida: “você deve sentir na pele o que é racismo e tem esse tipo de mentalidade? discriminar pelo jeito de andar? e ainda é tão mal educada que fala alto pra ouvirmos a certa distância? você é casada, não é? por que não fica de olho na bunda do seu marido ao invés de olhar pra minha?”. Mas nem foi necessário.

Não quisemos falar nada pra gerência, pois corria-se o risco de haver outro fascismo, dessa vez o social, em cima delas. Pensa: quase 22h, cansadas de lidar com gente que as destrata o dia inteiro, e ainda levar espinafrada do gerente e, dependendo de como é o sujeito, até uma demissão?

Espero não ter identificado ninguém nesse texto, mas fica a dica, Carrefour: treine seus funcionários. Um dia eles podem precisar de um homem que tem quase dois metros de altura e rebola e, se esse homem quiser, vai poder recusar o favor com base no tratamento que uma vez recebeu. Torço para que as duas em questão passem por algum tipo de situação discriminatória só pra se lembrarem de nós. E que seja tão forte a lembrança que elas consigam dar conta de que roupa usávamos.

Uma beija. Adeus.

EDITADO: postei esse mesmo texto no Reclame Aquihttp://www.reclameaqui.com.br/5946733/carrefour-loja-fisica/discriminacao-por-orientacao-sexual/

Carta aberta a Cris Guerra e Edmundo Bravo

… ou “Resposta cansada a um discurso elitista bobo”

Replicando essa carta pra ver se galere entende de uma vez.
Post original em https://medium.com/p/86b6de4ef736

Eu não costumo atender de graça a pedidos de desconhecidos, muito menos quando me solicitam algo que uso como minha profissão: a minha escrita. Escrever textos é o meu trabalho e acho que a vida está difícil demais para gastarmos tempo trabalhando sem remuneração, principalmente em resposta a um capricho de internet, de alguém que recebeu uma crítica e não gostou.

Hoje, porém, abrirei uma exceção, em nome da situação atual do país e de que as opiniões da colunista da BandNews FM Cris Guerra não são exclusivas de sua pessoa, e sim um coro de uma classe média que enxerga pouco o que foge do seu redor e se considera tanto alvo de todo o mal como a solução para todo o bem da sociedade.

Em podcast divulgado na internet no dia 23 de junho de 2013 e depois apagado, a Sra. Guerra se aventurou em analisar o cenário político brasileiro, as contradições do sistema, das injustiças existentes às suas soluções. De maneira elitista e desinformada, criticou as políticas de afirmação social do Governo Federal (em suas palavras, bolsa estiagem, bolsa crack, bolsa prostituta) além de afirmar, em uma referência bíblica, que o Brasil é um país em que “justos”, a classe média trabalhadora, sustentam os pecadores, classes mais pobres que recebem as tais bolsas. Debocha ainda da falta de elegância e de tino para a moda da Presidente Dilma, cujo trabalho, teoricamente, ainda independe de tais características estéticas.


Fui requisitado pelo Sr. Bravo em um comentário de redes sociais, também deletado, a escrever um texto em que eu poderia “humilhar” aqueles que eu criticava. Não tenho o menor intuito de fazer isso, muito menos a prepotência de achar que possuo capacidade para tal. A mesma modéstia poderia ter tomado conta da Sra. Guerra no dia de ontem e ter evitado que ela atirasse tanta desinformação em seus milhares de seguidores, fãs de seu trabalho reconhecido não só em Minas Gerais como no resto do país.

Sobre o Bolsa Família, entendo perfeitamente o ódio prêt-à-porter da elite brasileira que acredita remunerar mensalmente milhões de preguiçosos a troco de nada. Um ódio de quem lê pouco e não quer ver muito também, preferindo o caminho mais fácil do desconhecimento e da gritaria preconceituosa ao da informação. Os programas sociais do governo vem, há mais de 15 anos (por favor repare, governos PT e PSDB incluídos) corrigindo desigualdades históricas e irregularidades de um sistema que deveria, teoricamente, dar de maneira natural oportunidades iguais a todos os cidadãos.

Retiraram dezenas de milhares de pessoas da pobreza extrema, da fome e de condições sub-humanas de moradia e higiene, algo que eu não consigo nem imaginar como seja e acredito que vocês, Cris e Edmundo, também não. Retiraram milhares de cidadãos do coronelismo histórico brasileiro, dando a eles enfim liberdade de opinião e de atitude, livres do controle econômico de grupos regionais poderosos. Liberdade esta que pode ser estendida às mulheres que, de maneira análoga, puderam enfim exercer sua liberdade econômica e política, ao se tornarem independentes e se livrarem de uma estrutura patriarcal e machista ainda tão presente em nossa sociedade. Por fim, é importante ressaltar a grande quantidade de indivíduos que deixam os programas sociais ao conseguirem sobreviver e mudar de vida, não mais condenados à pobreza extrema e insuperável.

É evidente que o programa apresenta problemas e falhas, assim como a maioria das políticas públicas do país. Suas proporções são continentais, seus riscos são enormes, seus desafios históricos gigantes. E não sou inocente a ponto de negar: é um programa de caráter populista e eleitoreiro sim. Porém, na minha opinião, não mais que a reforma da praça em frente ao shopping, as ciclovias feitas às vésperas das eleições, os viadutos faraônicos direcionados ao transporte particular e os incentivos crescentes do governo à indústria.

A Sra. Guerra defende um neoliberalismo (governo mínimo, sem bolsas e incentivos) que não existe hoje no Brasil – e não é pela existência do Bolsa Família. O liberalismo selvagem, solto às leis do mercado, não existe para ninguém, muito menos para a elite, que recebe hoje a maior parte das esmolas do governo. Proponho que os pobres pecadores da Sra. Guerra deixem de receber o Bolsa Família no mesmo dia em que pararmos de salvar bancos com dinheiro público, de carregar no colo uma classe industrial acomodada e de maquiar as cidades das mazelas da periferia.

Penso que eu, como classe média alta, recebo, por exemplo, bem mais esmola do governo que os pecadores a que você se referiu. Minha rua é constantemente asfaltada, há rondas policiais noturnas praticamente todos os dias do ano e, sendo uma das únicas áreas que o poder público “encontrou verba” para aterrar a rede elétrica, raramente falta-me luz, mesmo nas piores tempestades. Lembrando que o Bolsa Família é de cerca de R$ 80,00 por mês e por família, quantia que nós, de classe média, costumamos gastar em apenas um jantar, eu não precisaria nem comentar que a situação do meu bairro não se reproduz em outros bairros do município, muito menos naqueles que se distanciam do centro metropolitano e sofrem diariamente com a violência policial, falta de transporte público e atendimento médico escasso.

Vejo um governo que constrói estádios para empresas explorarem e financia a baixíssimos juros obras de infraestrutura que servirão de base para que enormes grupos industriais se instalem e se proliferem (chamemos de Bolsa-Energia, Bolsa-Banco e Bolsa-Asfalto, tomando a mesma liberdade criativa do fatídico podcast). Por que ser tão seletivo nas críticas a essas Bolsas? Por que criticar apenas uma se não todas? A crítica exclusiva ao Bolsa Família é opinião legítima ou é um retweetinstantâneo da opinião dos outros?

Proponho que em nossos blogs, podcasts, facebooks e twitters repensemos maneiras claras de mudar essa realidade estrutural do país e não apenas vomitemos nosso ódio bizarro em quem nos lê. Como publicitários, sabemos das vantagens retóricas de se escolher um foco, um alvo claro e objetivo, um inimigo comum que simbolize e represente todo o discurso que pretendemos passar para frente. O foco no Partido dos Trabalhadores como inimigo corrupto de uma nação é reducionista e irresponsável, reforça de maneira publicitária um discurso raso da classe média e ignora que a corrupção no Brasil é estrutural e não um fenômeno de pessoas e de partidos.

Trago também uma boa notícia: a Presidenta Dilma não possui poderes de ditadora. Nosso sistema democrático define regras, hierarquias e processos que regulamentam as tomadas de decisão e fazem com que nosso sistema seja de fato democrático. Isso faz com que o poder real da Presidenta, apesar de amplo, não seja total – ainda bem.

Dessa forma, várias de nossas reinvindicações da última semana merecem ser direcionadas às pessoas e instituições certas; ao legislativo o que é do legislativo, ao judiciário o que é do judiciário, e etc. A utilização indiscriminada da hashtag #ForaDilma mostra apenas o nosso despreparo e desconhecimento da própria realidade política a qual criticamos.

Gostaria, por último de fazer um apelo. Somos todos colegas formais de profissão (mesmo que não atuemos nessa área), publicitários treinados para mentir, fabricar realidades em torno de causas e produtos, mascarar as realidades política, comercial e social do país para vender sabão em pó, ingressos da FIFA e eleger políticos. Ao mesmo tempo, recebemos uma carga grande de teorias na escola que nos permitem descolar desse sistema estranho e criticar a ética e os rumos de nosso próprio trabalho.

Em uma pesquisa rápida, percebi que frequentamos as mesmas universidades, inclusive. Me sinto verdadeiramente frustrado em perceber que mesmo ambientes tão debatedores como o Prédio 13 da PUC Minas e a Fafich UFMG não conseguiram formar pessoas capazes de pensar além de suas fronteiras. Fronteiras pessoais, de enxergar que o Brasil e o mundo vão além dos problemas da zona sul de Belo Horizonte e fronteiras de pesquisa, de perceber que repetir um discurso de 140 caracteres de alguém ou manchete sensacionalista de jornal sem se informar melhor sobre o assunto é não só ignorância como também irresponsabilidade jornalística.

Não desejo uma resposta de vocês. Gostaria apenas que pensassem a respeito da responsabilidade em relação ao coletivo que devemos ter como comunicadores e o poder às avessas que têm nossas palavras caso saiam de maneira impensada.

Espero também que a Presidenta Dilma deixe para aprender sobre bolsas e elegância em um outro momento. Que ela gaste tempo agora para corrigir os erros do executivo e converse com os poderes legislativo e judiciário sobre suas também difíceis e necessárias reformas.


Seguem abaixo alguns links para mais informações:

http://revistaforum.com.br/blog/2013/05/169-milhao-de-familias-abrem-mao-do-bolsa-familia/

http://terramagazine.terra.com.br/blogdomarcelosemer/blog/2013/06/05/receosa-com-tamanho-da-crise-mundial-oit-aplaude-bolsa-familia/

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/06/1293113-bolsa-familia-enfraquece-o-coronelismo-e-rompe-cultura-da-resignacao-diz-sociologa.shtml

É ASSIM QUE COMEÇA

Recebi por email. Não verifiquei nem data nem se isso foi realmente protocolado alguma vez. O NEGÓCIO É QUE EU CONCORDO COM TUDO!!!! Leiam, repassem e gritem nas ruas!!!!!!

É assim que começa.
Peço a cada destinatário para encaminhar este e-mail a um mínimo de vinte pessoasem sua lista de endereços  (como cópia oculta para dimunuir possibilidade de uso de seu e-mail) , e pedir a cada um deles para fazer o mesmo. 
Em três dias, a maioria das pessoas no Brasil terá esta mensagem. Esta é uma idéia que realmente deve ser considerada e repassada para o Povo.
Lei de Reforma do Congresso de 2011

(emenda à Constituição)

PEC de iniciativa popular:
Lei de Reforma do Congresso (proposta de emenda à Constituição Federal)

1. O congressista será assalariado somente durante o mandato. Não haverá ‘aposentadoria por tempo de parlamentar’, mas contará o prazo de mandato exercido para agregar ao seu tempo de serviço junto ao INSS referente à sua profissão civil.
2. O Congresso (congressistas e funcionários) contribui para o INSS. Toda a contribuição (passada, presente e futura) para o fundo atual de aposentadoria do Congresso passará para o regime do INSS imediatamente. Os senhores Congressistas participarão dos benefícios dentro do regime do INSS exatamente como todos outros brasileiros. O fundo de aposentadoria não pode ser usado para qualquer outra finalidade. 

3. Os senhores congressistas e assessores devem pagar seus planos de aposentadoria, assim como todos os brasileiros.

4 Aos Congressistas fica vedado aumentar seus próprios salários e gratificações fora dos padrões do crescimento de salários da população em geral, no mesmo período.

5. O Congresso e seus agregados perdem seus atuais seguros de saúde pagos pelos contribuintes e passam a participar do mesmo sistema de saúde do povo brasileiro.

6. O Congresso deve igualmente cumprir todas as leis que impõe ao povo brasileiro, sem qualquer imunidade que não aquela referente à total liberdade de expressão quando na tribuna do Congresso.

7. Exercer um mandato no Congresso é uma honra, um privilégio e uma responsabilidade, não um uma carreira. Parlamentares não devem servir em mais de duas legislaturas consecutivas. 

8. É vedada a atividade de lobista ou de ‘consultor’ quando o objeto tiver qualquer laço com a causa pública. “

A hora para esta PEC – Proposta de Emenda Constitucional – é AGORA.

É ASSIM QUE VOCÊ PODECONSERTAR O CONGRESSO

Se você concorda com o exposto,REPASSE. Caso contrário, basta apagar e dormir sossegado.

Por favor, mantenha esta mensagem CIRCULANDO para que possamos ajudar a reformar o Brasil.